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Welson Soares é graduado em Direito e atua como advogado Criminal no Escritório Andressa Martins

Coluna Justiça em Foco

Caso Henry Borel tem reviravolta: soltura de Monique e defesa abandona plenário

O julgamento do caso Henry Borel, criança de 4 anos que morreu em 2021 com sinais de agressão, foi adiado após uma estratégia adotada pela defesa do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho. A decisão provocou a suspensão do Tribunal do Júri e teve como consequência direta a concessão de liberdade provisória à mãe do menino, Monique Medeiros, por excesso de prazo na prisão preventiva.

ABANDONO DO PLENÁRIO E ADIAMENTO DO JÚRI

A sessão teve início normalmente, com o sorteio do Conselho de Sentença e a leitura da denúncia. No entanto, logo no começo do julgamento, os advogados de Jairinho solicitaram o adiamento, alegando falta de acesso integral às provas.

O pedido foi negado pela juíza Elizabeth Machado Louro. Em seguida, os cinco advogados presentes anunciaram que abandonariam o plenário atitude que, na prática, impede a continuidade do julgamento, já que nenhum réu pode ser julgado sem defesa técnica.

Diante da situação, a magistrada encerrou a sessão e remarcou o júri para o dia 25 de maio. 

MANOBRA PROCESSUAL: O QUE SIGNIFICA

O abandono do plenário, nesse contexto, funciona como um artifício da defesa. Isso porque, ao se retirar do julgamento, os advogados criam uma situação de nulidade imediata, obrigando o juiz a interromper o processo.

Embora o direito de defesa seja garantido, a jurisprudência dos tribunais superiores entende que a discordância com decisões judiciais não autoriza esse tipo de conduta. O caminho adequado seria registrar a inconformidade em ata e recorrer posteriormente.

A juíza classificou a atitude como “abandono processual” e “ato atentatório à dignidade da Justiça”, indicando que a estratégia pode ter sido premeditada para forçar o adiamento do júri.

CONSEQUÊNCIAS PARA A DEFESA

Além do adiamento, a magistrada determinou que os advogados de Jairinho arquem com os custos da sessão incluindo despesas com jurados, servidores e estrutura do tribunal.

Também foi solicitado à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que avalie possíveis sanções disciplinares contra os defensores.

POR QUE MONIQUE FOI SOLTA

A soltura de Monique Medeiros não decorre de absolvição ou mudança no mérito das acusações, mas sim de uma questão processual: o excesso de prazo na prisão preventiva.

No direito brasileiro, a prisão antes do julgamento não pode se prolongar indefinidamente. Quando há demora injustificada no andamento do processo especialmente por fatores alheios à atuação do réu a custódia pode se tornar ilegal.

No caso, a juíza entendeu que:

- O adiamento do julgamento ocorreu por iniciativa da defesa de Jairinho;

- Monique não contribuiu para a suspensão da sessão;

- A continuidade da prisão, diante da nova demora, configuraria constrangimento ilegal.

Por isso, foi concedido o relaxamento da prisão, permitindo que ela responda ao processo em liberdade até o julgamento.

REAÇÕES

O Ministério Público informou que irá recorrer da decisão que soltou Monique e classificou a manobra da defesa de Jairinho como “completamente ilegal”.

Já o pai de Henry, Leniel Borel, criticou duramente o adiamento, afirmando que o filho foi “assassinado pela segunda vez”, em referência à frustração com a interrupção do julgamento.

O CASO

Henry Borel morreu em março de 2021, no apartamento onde vivia com a mãe e o padrasto, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Laudos periciais apontaram múltiplas lesões decorrentes de violência.

Jairinho responde por homicídio qualificado, enquanto Monique é acusada de homicídio por omissão, sob a alegação de que teria conhecimento das agressões e não agiu para impedir o resultado.

O novo julgamento está marcado para maio, quando o caso deverá voltar ao Tribunal do Júri.

Fique atualizado sobre as principais notícias relacionadas ao mundo jurídico, acompanhando nossa coluna “Justiça em Foco”. Até a próxima!

Welson Soares é graduado em Direito pela Faculdade Anhanguera, atua como advogado Criminal no renomado Escritório Andressa Martins Advocacia, localizado na cidade de Sumaré, há mais de 17 anos. Pós-graduando em Direito Penal e Processo Penal.

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