Coluna Olhar de Dentro –
Parabéns a quem ensina!
Na próxima quinta-feira, dia 15 de outubro, será o Dia dos Professores. E a origem dessa data no Brasil diz muito sobre a importância da educação na construção do nosso país.
Existe, sim, um Dia Mundial dos Professores, instituído pela UNESCO em 1994 e celebrado em 5 de outubro, em referência a um documento internacional de 1966 sobre direitos, responsabilidades e condições de trabalho dos educadores. Mas o nosso 15 de outubro tem uma história própria — e bem mais antiga.
Foi em 15 de outubro de 1827 que D. Pedro I sancionou uma lei determinando a criação das chamadas “escolas de primeiras letras” nas cidades, vilas e lugares mais populosos do Brasil. Era uma tentativa de ampliar o acesso à educação em um país que ainda dava seus primeiros passos como nação independente. Mais de um século depois, em 1947, professores de uma escola de São Paulo escolheram justamente essa data para promover um dia de pausa, reflexão e valorização do magistério. A iniciativa ganhou força e, em 1963, o presidente João Goulart oficializou o 15 de outubro como feriado escolar dedicado ao professor.
Quase dois séculos depois daquele primeiro marco de 1827, teremos novamente homenagens e mensagens bonitas nas redes. Mas no dia seguinte, tudo volta ao normal. Eu vou escrever sobre isso antes da data justamente para que a gente não se contente com este “normal”.
Sou pedagoga de formação e já estive na sala de aula, em Nova Odessa e em Americana. Sei o que é preparar aula em casa depois do próprio expediente, comprar material do bolso e levar para dentro de casa a preocupação com o aluno que faltou dias seguidos. Professor não desliga ao bater o sinal.
E os dados mostram que esse esforço está encontrando cada vez menos gente disposta a repeti-lo. Um levantamento recente da OCDE aponta que ao menos 9% dos professores da educação básica pública brasileira não tinham qualificação completa entre 2024 e 2025, com a maior dificuldade de contratação concentrada em matemática e ciências. Estudos projetam que o Brasil pode acumular um déficit de 235 mil professores na educação básica até 2040 se nada mudar. O sinal mais preocupante está na ponta de quem começa: o número de docentes com até 24 anos caiu mais de 30%, de cerca de 17 mil para 12 mil.
Traduzindo: os professores estão envelhecendo e os jovens não estão querendo substituí-los. Houve avanço, sim. O piso salarial da educação básica foi reajustado este ano para R$ 5.130,63. É um passo, mas ninguém escolhe uma profissão apenas pelo salário. Escolhe também pelo respeito que ela tem.
E aqui a conta sobra para nós, não só para o poder público. Porque a desvalorização do professor inicia muito antes do salário. Começa quando o aluno responde com deboche e não acontece nada, quando o pai chega à escola para ameaçar em vez de conversar. Começa quando a gente diz ao filho que ele pode ser qualquer coisa na vida, menos professor.
Nenhum país avança com professor desmoralizado. Nenhum médico, engenheiro ou empresário chegou onde chegou sem alguém que lhe ensinou a ler. É a profissão que ajuda a formar todas as outras e, mesmo assim, é uma das que mais precisam lutar para ser respeitadas.
Então eu faço um convite prático para esses próximos dias. Pense no professor que fez diferença na sua vida e, se ele ainda estiver por aqui, diga isso a ele. Uma mensagem, uma ligação, um recado pela escola. Você não tem ideia do que uma frase dessas representa para quem passou décadas ensinando sem saber exatamente até onde seu trabalho chegou.
E se você tem filho em idade escolar, apareça. Vá à reunião, conheça quem está com a sua criança cinco horas por dia, pergunte o que a escola está precisando. Valorizar professor não é coisa de um único dia. É rotina. No dia 15, vamos aplaudir. Mas minha pergunta é sobre o dia 16: o que cada um de nós vai fazer para que ensinar volte a ser uma profissão que valha a pena escolher?
Juçara Rosolen é mãe, cristã, empreendedora, palestrante e escritora. Juçara é formada em Pedagogia, Letras e Direito. Proprietária e fundadora do Grupo Aposerv, que há mais de 17 anos se dedica aos serviços previdenciários administrativos. É ex-presidente da ACINO e atual Presidente do Lions Clube de Nova Odessa.

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