Coluna Olhar de Dentro
Alta nos combustíveis, o que está acontecendo no mundo e o que isso significa para o seu bolso
Você foi abastecer o carro nas últimas semanas e levou um
susto no valor? Ou notou que o gás de cozinha e as compras do mês estão pesando
mais do que o habitual? Esse impacto que chega até nós em Nova Odessa tem uma
história que começa bem longe daqui, e entender esse cenário ajuda a ter mais
clareza sobre o que está acontecendo e o que podemos esperar nos próximos
meses.
Tudo começa com o petróleo. Em março de 2026, o preço do
barril disparou de forma expressiva por conta da escalada do conflito entre os
Estados Unidos e o Irã. O fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa
aproximadamente 20% de toda a produção mundial de petróleo, criou um choque de
abastecimento que os mercados sentiram de imediato. O barril do tipo Brent,
referência global, chegou a ultrapassar os US$ 106 - um patamar não visto desde
2022 e que ainda está muito longe de se estabilizar.
Esse movimento externo se somou a um aumento que já estava
em vigor no Brasil desde o início do ano. Em 1º de janeiro de 2026, o ICMS, o
imposto estadual que incide sobre os combustíveis, foi reajustado pelo Confaz.
A gasolina subiu R$ 0,10 por litro (alta de 6,8%), o diesel R$ 0,05 por litro
(4,4%) e o botijão de gás de cozinha ficou R$ 1,05 mais caro. Era um aumento já
esperado, o segundo ano consecutivo de reajuste desse imposto.
Com o choque externo do petróleo somado ao aumento
tributário interno, os efeitos chegaram rápido aos postos. Em São Paulo, o
diesel chegou a subir cerca de 11% em apenas três semanas, e a gasolina
acumulou alta de quase 4% só em março. A Petrobras, que precisa alinhar seus
preços ao mercado internacional, recebeu estimativas de que deveria reajustar a
gasolina em até R$ 0,47 por litro para cobrir o custo do petróleo mais caro.
Por que isso importa para além do posto? Porque o diesel é o
combustível que move os caminhões, os ônibus e os tratores. Quando ele sobe, o
frete acompanha esse aumento. Com o transporte mais caro, o custo dos
alimentos, dos produtos industrializados e de praticamente tudo o que
consumimos no dia a dia também cresce. Esse efeito em cascata chega às
prateleiras do supermercado, ao preço do pão, da verdura, do eletrodoméstico.
Para cidades como Nova Odessa, dependentes do transporte rodoviário para abastecer
o comércio local e escoar a produção, esse impacto é ainda mais direto.
E você, já sentiu essa alta no seu dia a dia? Foi preciso reorganizar o orçamento ou mudar algum hábito por causa disso? Situações assim mostram, na prática, o reflexo real dessas mudanças na vida das pessoas.
Juçara Rosolen é mãe, cristã, empreendedora, palestrante e
escritora. Juçara é formada em Pedagogia, Letras e Direito. Proprietária e
fundadora do Grupo Aposerv, que há 16 anos se dedica aos serviços
previdenciários administrativos. É Ex-Presidente da ACINO e atual Presidente do
Lions Club de Nova Odessa.

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