Economia
Valmir Caldana (segundo vice-diretor) e José Toledo Corrêa (diretor) do Ciesp-Campinas

Falta de mão de obra e Reforma Tributária lideram preocupações da indústria regional

A falta de mão de obra qualificada, a insegurança fiscal e os impactos da Reforma Tributária estão entre as maiores preocupações da indústria da região. Os dados fazem parte da Pesquisa de Sondagem Industrial de Maio, divulgada nesta semana pelo Ciesp Campinas durante o mês da indústria.

Segundo o levantamento feito com empresas associadas, 31% das indústrias apontaram o chamado “apagão de mão de obra qualificada” como principal preocupação atual. O mesmo percentual também demonstrou preocupação com a incerteza fiscal e os efeitos da Reforma Tributária sobre o setor produtivo.

O diretor do Ciesp-Campinas, José Henrique Toledo Corrêa, afirmou que o cenário econômico ainda inspira cautela para os próximos meses. “Os dados levantados na pesquisa indicam incertezas para os próximos meses”, afirmou o diretor ao destacar especialmente os impactos relacionados à dificuldade de contratação, ao custo do capital e às elevadas taxas de juros.

Ainda de acordo com o levantamento, 23% das empresas citaram o alto custo do capital e os juros elevados como um dos principais gargalos enfrentados atualmente pela indústria. Já 15% apontaram pressões inflacionárias e redução das margens de lucro.

Apesar das dificuldades, o estudo mostrou estabilidade nos indicadores de volume de produção, faturamento e nível de emprego em relação aos meses anteriores. Um dado que chamou atenção foi o fato de nenhuma empresa entrevistada apontar a adaptação tecnológica, incluindo inteligência artificial e automação, como preocupação imediata. 

O vice-diretor do Ciesp-Campinas, Valmir Caldana, também destacou os reflexos do cenário internacional sobre a indústria regional, principalmente no comércio exterior. Segundo ele, os conflitos geopolíticos recentes têm provocado forte volatilidade econômica e elevado os custos logísticos, especialmente nos fretes internacionais. Caldana afirmou ainda que a situação da navegação no Estreito de Ormuz contribui para manter o ambiente de negócios instável.

EXPORTAÇÕES CRESCEM

Os números da balança comercial regional mostram crescimento nas exportações em abril de 2026. Segundo o Ciesp, a região exportou US$ 330 milhões no período, alta de 10,58% em relação ao mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano, as exportações somam US$ 1,1 bilhão, crescimento de 1,05% na comparação com 2025.

As importações totalizaram US$ 1,2 bilhão em abril, aumento de 6,37% em relação ao ano anterior. Já o déficit comercial mensal ficou em US$ 885 milhões, resultado 4,88% menor que o registrado em abril de 2025.

PAULÍNIA E SUMARÉ

Entre os municípios que mais exportaram na região aparecem Campinas, Paulínia e Sumaré. Já os maiores importadores foram Paulínia, Campinas, Jaguariúna, Hortolândia e Sumaré. Os principais destinos das exportações regionais foram Estados Unidos, Argentina e México. Já as importações tiveram como principais origens China, Estados Unidos e Coreia do Sul.


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