Americana cria metas para aumentar reciclagem e reduzir lixo para aterros
Plano atualizado pela Lei nº 7.069 estabelece série de ações para coleta seletiva, ecopontos, resíduos da construção civil e educação ambiental; cidade gera mais de 232 toneladas de resíduos por dia e fixou os objetivos para serem alcançados
Americana passou a ter novas metas para coleta de lixo,
reciclagem, funcionamento de ecopontos, redução de descartes irregulares e
destinação dos resíduos produzidos na cidade. As diretrizes fazem parte da
atualização do PMGIRS (Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos
Sólidos), transformada em lei pelo prefeito Chico Sardelli (PL).
O documento tem 103 páginas e estabelece ações que envolvem
desde o lixo colocado diariamente nas calçadas pelos moradores até resíduos de
construção civil, móveis descartados, materiais recicláveis, pneus, óleo,
resíduos hospitalares e produtos sujeitos à logística reversa.
O tamanho do desafio aparece no próprio diagnóstico usado
pela Prefeitura. Em 2024, Americana registrou geração média de 232,6 toneladas
de resíduos por dia. Desse total, aproximadamente 197,37 toneladas eram
provenientes da coleta convencional domiciliar, 30,4 toneladas correspondiam a
resíduos volumosos e inservíveis, 4,56 toneladas a recicláveis e 270 quilos a
resíduos de serviços de saúde.
A geração estimada ficou em 0,85 quilo por habitante a cada
dia. O documento também aponta que a coleta convencional alcança toda a área do
município, com frequência mínima de três vezes por semana. Uma das metas
estabelecidas é manter essa cobertura integral.
Um dos focos do novo plano é aumentar o aproveitamento do
material que hoje vai para o lixo comum. A análise gravimétrica reproduzida
pelo município mostra que os materiais recicláveis representavam 19,3% dos
resíduos domiciliares avaliados em 2003 e caíram para 7,4% em 2021.
Americana já possui coleta seletiva dividida em 20 setores,
realizada de segunda-feira a sábado e também em feriados. Segundo o plano, o
município disponibiliza ainda 30 Pontos de Entrega Voluntária para materiais
recicláveis.
Entre as metas de longo prazo está fazer com que os
recicláveis correspondam a pelo menos 1,5% do total recolhido na coleta
domiciliar em cada modalidade prevista pelo plano, além da recuperação de pelo
menos 6% dos materiais recicláveis por meio de unidade de tratamento mecânico.
O planejamento prevê que, futuramente, somente o material classificado como
rejeito seja encaminhado para aterro sanitário.
O plano também estabelece como objetivo manter pelo menos 12
ecopontos sob gestão terceirizada no horizonte de longo prazo. Os equipamentos
são destinados principalmente ao descarte de materiais que não podem ser
colocados na coleta domiciliar convencional.
A construção civil aparece como outro ponto de atenção.
Dados incluídos no documento mostram que, entre junho de 2021 e abril de 2022,
foram geradas 69.070 toneladas de resíduos desse setor. No mesmo período, os
ecopontos municipais receberam 2.367 toneladas provenientes da construção
civil.
Para os pequenos geradores, definidos como aqueles que
produzem até um metro cúbico de resíduos por dia, o município mantém pontos
específicos de recebimento. Já o transporte e a destinação de volumes maiores
obedecem a regras próprias e mecanismos de fiscalização.
A atualização do plano também trata do antigo Aterro
Sanitário Municipal de Americana. O documento reconhece a existência de passivo
ambiental na área, que se encontra em processo de encerramento acompanhado pela
Cetesb. O município informou que foi elaborado um Plano de Recuperação do
Aterro, com investigação ambiental, avaliação de risco e instalação de poços
para monitoramento de gases.
Outro eixo é a logística reversa, sistema em que
fabricantes, distribuidores, comerciantes e consumidores compartilham
responsabilidades pela destinação de determinados produtos depois do uso. O
plano menciona itens como pneus, óleos lubrificantes, pilhas, baterias e
embalagens de agrotóxicos.
A lei prevê ainda uma série de ações de educação ambiental.
Entre elas estão campanhas sobre coleta seletiva e ecopontos, atividades nas
escolas, orientação porta a porta, capacitação de agentes comunitários de
saúde, incentivo à compostagem e ações direcionadas a comerciantes, feirantes e
organizadores de eventos.
No horizonte de quatro a dez anos, uma das metas é ampliar
em 100% o alcance dos projetos de educação ambiental e atingir todas as
unidades educacionais do município. O plano também prevê intensificação de
campanhas sobre reciclagem.

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