Força e coragem: mulheres do Samu de Sumaré salvam vidas todos os dias
Profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência da cidade enfrentam rotina intensa de emergências e decisões imediatas; entre chamadas de rádio e atendimentos delicados, mulheres demonstram preparo e sensibilidade diária
Em meio ao Dia Internacional da Mulher, celebrado neste
domingo (8), histórias das profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de
Urgência (Samu) de Sumaré mostram como a dedicação, o preparo e a sensibilidade
caminham lado a lado no atendimento à população. Em uma rotina de emergência,
tais mulheres enfrentam situações críticas e, muitas vezes, decisivas para
salvar vidas.
A técnica de enfermagem Franciele Soares, de 45 anos,
descreve o trabalho no Samu como uma “missão que exige atenção total a cada
chamado”. Para ela, o momento em que veste o uniforme representa o início de
uma responsabilidade que vai além da assistência médica. “Quando eu coloco o
macacão e o rádio chama para uma ocorrência, o mundo para. Toda a atenção fica
voltada para aquele atendimento, para que ele seja feito da melhor maneira
possível”, relata.
Segundo Franciele, o trabalho não envolve apenas situações graves de saúde ou acidentes. Muitas vezes, o atendimento exige sensibilidade para lidar com o medo e a angústia de pacientes e familiares. “Não é só socorrer uma emergência. É acolher uma mãe preocupada, entender um filho que está vendo o pai doente, acalmar uma criança que tem medo de entrar em uma ambulância. Isso faz parte do nosso trabalho”, afirma.
A profissional diz que sente orgulho de atuar no serviço e
considera gratificante poder ajudar pessoas em momentos delicados. “Sou feliz
todos os dias por trabalhar aqui. No Samu de Sumaré eu mostro a força de uma
mulher”, completa.
Outra integrante da equipe é a técnica de enfermagem Eliane
Cristina de Almeida Ramos Zordenunes, de 39 anos. Mãe de três meninas, ela
concilia a rotina familiar com a intensa jornada nas ambulâncias do serviço de
urgência pelas ruas das seis regiões de Sumaré.
Eliane afirma que escolheu a profissão por vocação e pelo
desejo de ajudar o próximo. “Eu amo salvar vidas e desempenhar meu papel com
orgulho. Quando estou no Samu meu foco é sempre prestar o melhor atendimento
possível”, conta.
Ela destaca que o trabalho exige rapidez, preparo técnico e
equilíbrio emocional, mas também traz momentos de grande satisfação. “É
gratificante ver o sorriso de uma criança, de um idoso ou de alguém que acabou
de ser salvo de um acidente”, diz.
AFINIDADE
Entre as áreas em que atua, Eliane menciona a emergência
obstétrica, especialidade pela qual tem grande afinidade. “Eu amo partos.
Acompanhar uma gestante e ajudar no nascimento de um bebê é algo muito
especial. Nosso objetivo é dar todo o suporte necessário até a chegada do
recém-nascido”, explica.
Para ela, as mulheres que atuam no Samu compartilham um
mesmo sentimento de missão. “Todas são guerreiras, cada uma com sua
especialidade: trauma, clínica médica ou obstetrícia. Muitas vezes deixamos
nossas famílias para salvar outras famílias, sempre com respeito, dignidade e
amor pela profissão”, afirma.
As histórias de Franciele, Eliane e de outras profissionais
do Samu de Sumaré revelam o papel das mulheres na área da saúde e da
emergência. Mais do que profissionais treinadas, elas representam cuidado,
coragem e dedicação em momentos em que cada segundo pode fazer a diferença
entre a vida e a morte.
DE DESEMPREGADA A ASSISTENTE ADMINISTRATIVA: MÃE DE TRÊS
FILHOS RECOMEÇA COM APOIO SOCIAL
Aos 31 anos, Suelen Alves Limeira, mãe de três filhos, e
moradora do Jd. Brasil, em Hortolândia, encontrou no apoio de políticas
públicas e na própria determinação o caminho para reconstruir a vida após
enfrentar um dos momentos mais difíceis de sua história.
Há cerca de um ano e meio, ela perdeu o emprego enquanto
estava grávida. A empresa onde trabalhava decretou falência e deixou vários
funcionários sem receber, incluindo ela, que ocupava o cargo de supervisora.
Sem direito a rescisão e com um salário alto ainda a receber, a situação se
tornou ainda mais delicada.
Suelen Alves Limeira, 31, recomeçou a vida profissional em Hortolândia
Além da perda repentina da renda, havia outra preocupação imediata: sustentar os filhos e pagar o aluguel. “Foi o momento mais difícil da minha vida”, relata. “Eu tinha filhos pequenos e precisava continuar lutando por eles”.
Diante da situação, ela procurou ajuda no Centro de
Referência de Assistência Social (CRAS). O objetivo inicial era atualizar o
Cadastro Único para acessar o Bolsa Família e buscar orientação sobre quais
caminhos ela poderia seguir naquele momento.
Foi lá que encontrou acolhimento e apoio. No atendimento,
ela conheceu uma psicóloga que passou a acompanhá-la e ajudá-la a enxergar
novas possibilidades. Com esse suporte, surgiu a oportunidade de participar de
um programa de inserção no mercado de trabalho.
A vaga conquistada foi justamente na área em que já possuía experiência: assistente administrativa. Hoje, ela trabalha no próprio CRAS, atuando no setor administrativo por meio do Programa ACERTE. Para ela, a oportunidade representa muito mais do que um emprego.
“Ali foi só o início de uma porta aberta para que eu possa
evoluir e crescer cada dia mais, mudar a minha história e a história dos meus
filhos”, afirma.
Ela também destaca o apoio recebido de profissionais da unidade, como da coordenadora e da própria psicóloga, que foram fundamentais durante o processo de retomada. Segundo ela, a experiência reforça uma mensagem importante para quem enfrenta dificuldades: não desistir. “É preciso batalhar e ir em busca daquilo que você sonha e espera”, disse.
Hoje, com trabalho, perspectiva de crescimento e mais
estabilidade, ela segue determinada a construir um futuro melhor para si e para
a família — mostrando que, mesmo em meio às maiores dificuldades, novas
oportunidades podem surgir.
GCMS REFORÇAM SEGURANÇA PÚBLICA DE SUMARÉ E NOVA ODESSA
Neste Dia Internacional da Mulher, profissionais que atuam
na linha de frente da segurança pública mostram como a presença feminina tem
ganhado espaço e contribuído para transformar o atendimento à população. Em
diferentes cidades da região, mulheres que escolheram essa carreira enfrentam
desafios diários, mas também demonstram competência no combate à criminalidade.
Em Sumaré, a guarda municipal Gabriela Costa Farinha, de 34
anos, construiu uma trajetória marcada por dedicação. Ela está há quase 15 anos
na corporação e atualmente integra a equipe da Ronda Ostensiva Municipal
(Romu), um grupamento especializado que atua em ocorrências de maior
complexidade e risco.
Gabriela explica que a rotina envolve atender situações de
emergência, muitas vezes quando a população está em momentos de maior
vulnerabilidade. “A Romu atua em ocorrências de maior vulto e periculosidade.
Muitas vezes chegamos quando a pessoa mais precisa de ajuda”, relata.
Na equipe, formada por ela e mais três colegas homens, a
guarda afirma que o trabalho acontece de forma integrada. Para ela, a presença
feminina contribui com uma percepção diferente das situações enfrentadas nas
ruas. “A gente percebe muitas coisas de outra forma. Talvez por uma
sensibilidade maior, conseguimos enxergar detalhes e entender conflitos de uma
maneira diferente. Isso ajuda bastante a resolver situações e a prestar um
apoio melhor à população”, afirma.
Gabriela e Tânia mostram que mulheres estão em diferentes funções na segurança
Apesar de ainda existirem estereótipos sobre a atuação feminina na segurança, Gabriela ressalta que, na prática, a capacidade profissional é equivalente. “Muitas pessoas imaginam que a mulher não vai conseguir correr atrás de alguém, fazer uma abordagem ou lidar com uma ocorrência mais difícil. Mas no dia a dia mostramos que conseguimos desempenhar o trabalho normalmente”, diz.
Além das atividades operacionais, a guarda também participa
de projetos sociais desenvolvidos pela corporação. Ela auxilia ações educativas
realizadas nas escolas pelo Programa Municipal Antidrogas (Promad), sendo a
mascote, contribuindo com iniciativas voltadas à formação de jovens e à
prevenção da violência.
Em Nova Odessa, outra história reforça o papel feminino na
segurança pública. A guarda municipal Tânia Artini, formada em Serviço Social e
atualmente cursando pós-graduação em Criminologia, também integra a nova
geração de profissionais da Guarda Civil Municipal.
Tânia ingressou na corporação no último concurso público e,
durante cerca de dois anos, atuou no projeto “Anjos da Escola”, voltado à
segurança e à orientação dentro do ambiente escolar. Para ela, a experiência
foi marcante. “Foi um período de muito aprendizado. Acredito que a educação é o
caminho para transformar realidades e prevenir problemas”, afirma.
Hoje, Tânia trabalha no setor de Controle Operacional,
responsável por receber as chamadas da população e direcionar as ocorrências
para as equipes em campo. A função exige equilíbrio emocional e agilidade.
“Quem está no controle precisa ouvir, orientar e acalmar a
pessoa que liga, muitas vezes em momentos de desespero. Ao mesmo tempo,
precisamos avaliar a situação e acionar rapidamente a viatura, ambulância ou
outro serviço necessário”, explica.
Para ela, a atuação feminina na segurança pública também
está ligada à capacidade de escuta e acolhimento. “É importante atender com
empatia, mas sem perder o controle da situação”, destaca.
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