Prefeitura de Paulínia notifica Sabesp após falta de água no final de semana
Poder Público cobra medidas para evitar novos episódios de desabastecimento depois de problemas registrados no sábado e domingo; município também já solicitou caminhões-pipa para atender pontos críticos e serviços essenciais
A Prefeitura de Paulínia notificou extrajudicialmente a
Sabesp nesta segunda-feira (28) após moradores de diversos bairros enfrentarem
falta de água e problemas na qualidade do abastecimento durante o sábado (26) e
o domingo (27).
Na notificação, a administração municipal cobra providências
da concessionária para evitar novos episódios de desabastecimento. Entre as
medidas solicitadas estão a disponibilização de equipamentos de reserva e o
aprimoramento do plano de contingência para situações que comprometam o
fornecimento de água no município.
A Prefeitura também pediu que a Sabesp disponibilize
caminhões-pipa para atender os pontos mais afetados, com prioridade para
serviços públicos considerados essenciais, entre eles unidades escolares e o
Hospital Municipal.
O documento foi encaminhado ainda à Secretaria de Meio
Ambiente, Infraestrutura e Logística do Governo do Estado de São Paulo, à
Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo), à SP
Águas e à Câmara Municipal de Paulínia.
Segundo a Prefeitura, a administração continuará
acompanhando o abastecimento e cobrando da concessionária medidas para garantir
a regularidade do serviço.
A nova cobrança ocorre após uma sequência de reclamações
envolvendo os serviços da Sabesp em Paulínia e em outras cidades da região ao
longo deste ano.
Em janeiro, o prefeito Danilo Barros (PL) levou à Arsesp
reclamações relacionadas ao mau cheiro proveniente da Estação de Tratamento de
Esgoto na região do Monte Alegre, além de críticas à demora em obras realizadas
pela Sabesp e à qualidade da recomposição do asfalto após intervenções da
concessionária. Na ocasião, a agência reguladora informou que realizaria uma
fiscalização extraordinária no município.
Também em janeiro, vereadores de Paulínia questionaram a
qualidade da recomposição asfáltica realizada depois de obras da Sabesp em vias
da cidade. O tema chegou à Câmara Municipal por meio de requerimentos cobrando
melhorias nos serviços executados pela concessionária.
A situação ganhou dimensão regional no fim de abril, quando
moradores de Paulínia, Hortolândia e Monte Mor passaram a relatar alterações no
cheiro, gosto e aparência da água distribuída. Em Paulínia, a Prefeitura se
reuniu com representantes da Sabesp e do Governo do Estado após receber queixas
de moradores sobre água com cheiro de mofo e aspecto pouco límpido.
Naquele período, a Sabesp informou que compostos naturais
presentes no Rio Jaguari poderiam provocar alterações de cheiro e sabor,
embora, segundo a empresa, sem comprometer a segurança da água. A companhia
passou a utilizar carvão ativado no processo de tratamento.
Em Hortolândia, o volume de reclamações levou a Prefeitura a
criar um comitê emergencial para acompanhar o abastecimento. Moradores também
relatavam odor e sabor desagradáveis na água. A administração municipal chegou
a cobrar medidas de compensação aos consumidores durante a crise.
Uma fiscalização da Arsesp realizada em 24 de abril
identificou alterações de gosto e odor em amostras analisadas durante inspeções
nos sistemas de Hortolândia e Paulínia. Posteriormente, a agência esclareceu
que a fiscalização era preliminar e que os laudos disponíveis não apontavam
desconformidade nos parâmetros legais de potabilidade, enquanto análises
técnicas ainda estavam em andamento.
A crise também levou a Cetesb a ampliar o monitoramento do
Rio Jaguari, com a instalação de uma sonda automática na captação de água bruta
em Paulínia. O equipamento passou a permitir medições contínuas de parâmetros
como pH, turbidez, temperatura, oxigênio dissolvido e condutividade.
Em maio, o assunto chegou ao Ministério Público. Reportagem
do Tribuna Liberal mostrou que, mesmo diante das reclamações em Hortolândia,
Paulínia e Monte Mor e das cobranças de órgãos públicos, a Sabesp sustentava
que a água distribuída permanecia dentro dos padrões de potabilidade.
No mesmo mês, Danilo Barros recebeu representantes da Arsesp
para discutir novamente a situação em Paulínia. O prefeito afirmou na ocasião
que havia melhora no abastecimento e na qualidade da água, mas disse que
continuaria acompanhando o caso até uma solução completa.
As reclamações envolvendo a concessionária também foram
registradas em Hortolândia no início do ano. Em janeiro, moradores de mais de
15 bairros voltaram a protestar contra o mau cheiro atribuído à ETE Jatobá,
operada pela Sabesp, afirmando que os odores continuavam mesmo após medidas
anunciadas anteriormente pela companhia.
Problema na captação também afeta abastecimento em
Hortolândia e Monte Mor
Bairros de Hortolândia e Monte Mor também registraram
interrupções no fornecimento de água após problemas no sistema de captação
operado pela Sabesp. A situação afetou moradores ao longo do fim de semana e
ainda gera reflexos nesta segunda-feira (28).
O excesso de sedimentos levado pelas chuvas comprometeu
equipamentos utilizados na captação e exigiu uma operação de manutenção.
Técnicos atuam na limpeza do sistema e na troca de componentes danificados.
Em Hortolândia, moradores do Jardim Amanda estão entre os afetados. Já em Monte Mor, há relatos de falta de água no Jardim Paviotti. A retomada do abastecimento ocorre de forma gradual e pode levar mais tempo em pontos elevados das cidades. A previsão é que o sistema avance para a normalização até esta terça-feira (29).
Durante o período de instabilidade, a orientação é para que
os moradores utilizem a água armazenada com economia.

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