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Município fortalece capacidade de enfrentar chuvas fortes, estiagens e ocorrências industriais

Sumaré reforça ‘escudo’ contra desastre e publica plano de contingência até 2029

Prefeitura elabora série de procedimentos para na prevenção e em casos de desastres naturais, reduzindo impactos à população; foco está em eventos hidrológicos, climatológicos e tecnológicos, que são os mais recorrentes registrados

Sumaré publicou o Plano Municipal de Contingência (PLANCON) 2025/2029, um documento que funciona como “manual de ação” para orientar a cidade em situações de emergência e até em casos de calamidade pública. Na prática, o plano reúne procedimentos planejados para reduzir danos, organizar a resposta e acelerar a recuperação quando um desastre atingir o município. 

A base legal é a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil, que define que a situação de emergência ocorre quando há comprometimento parcial da capacidade de resposta, exigindo apoio de outras esferas de governo.

O PLANCON foi elaborado pela equipe da Diretoria Executiva de Proteção e Defesa Civil de Sumaré e parte de um diagnóstico: o município tem vulnerabilidades que se repetem ao longo dos anos e exigem planejamento permanente. Por isso, o plano concentra atenção em ocorrências hidrológicas (chuvas intensas, inundações, alagamentos e enxurradas), climatológicas (estiagem, seca, incêndio florestal e baixa umidade do ar) e tecnológicas (incêndios urbanos industriais). 

A proposta é trabalhar o ciclo completo do desastre: prevenir quando possível, mitigar impactos, preparar estruturas e equipes, responder com rapidez e restaurar serviços essenciais o quanto antes.

Um dos pontos centrais do documento é a organização do “quem faz o quê” em um momento crítico. O plano estabelece que a atuação deve ser intersetorial, reunindo secretarias municipais, órgãos de segurança, saúde e assistência, além de concessionárias e entidades parceiras. 

Nessa engrenagem, a Diretoria Executiva de Proteção e Defesa Civil aparece como núcleo de coordenação, com papel direto na elaboração e atualização do plano, no monitoramento de riscos e na articulação com instituições como Corpo de Bombeiros, Samu, polícias e Defesa Civil estadual. A lógica é simples: quando cada órgão já sabe sua função e o fluxo de acionamento é claro, a resposta tende a ser mais rápida.

O PLANCON também detalha critérios para ativação do plano e o caminho decisório em caso de agravamento da situação. A ativação pode ocorrer por vistoria técnica, com registro formal da ocorrência, ou por aviso de centros de monitoramento e alerta, com base em dados e previsões. 

O documento define, em ordem, as autoridades que podem acionar o plano: o diretor executivo de Proteção e Defesa Civil, o chefe de gabinete do prefeito e o próprio prefeito. A desmobilização, por sua vez, é gradual e ocorre quando o cenário se estabiliza, com procedimentos para retorno controlado à normalidade.

Para os eventos mais frequentes, o plano cria níveis de risco com ações específicas. No caso de chuvas intensas, inundações e alagamentos, há três estágios: moderado, alto e muito alto. No nível moderado, a prioridade é monitorar, informar órgãos parceiros e manter plantão, preparando a estrutura caso a situação evolua. 

No nível alto, entram medidas como ativação do posto de comando, alerta à população e preparação de rotas de fuga e abrigos. Já no nível muito alto, as orientações incluem evacuação imediata e acionamento de apoio estadual e federal, quando a dimensão do evento ultrapassa a capacidade do município.

ESTIAGEM

Para períodos de estiagem e baixa umidade, o PLANCON define quatro níveis — observação, atenção, alerta e emergência — baseados na taxa de umidade relativa do ar, com recomendações que vão de vistorias preventivas e campanhas educativas até restrições de atividades ao ar livre nos horários mais críticos. O objetivo é reduzir tanto os riscos à saúde quanto a chance de incêndios em vegetação, que aumentam com calor, vento e ar seco.

Já para desastres tecnológicos, como incêndios industriais e vazamentos, o plano reforça a importância do planejamento preventivo, da segurança industrial e do alinhamento com planos próprios das empresas, além de incentivar a cooperação entre indústrias em ações de auxílio mútuo.

Mais um destaque é a estrutura prevista para organizar a cena em uma área afetada: posto de comando, áreas de evacuação, rotas de fuga, pontos de encontro e abrigos. O texto descreve como deve funcionar a resposta, incluindo busca e salvamento, primeiros socorros, atendimento hospitalar, assistência às vítimas, cadastramento, abrigamento e restabelecimento de serviços essenciais — como energia, água, saneamento, limpeza urbana e transporte. 

Além disso, o plano prevê um centro de informações para o relacionamento com a população e a imprensa, com divulgação controlada e responsável sobre danos, desaparecidos e medidas adotadas.

O município estabelece a realização de exercícios simulados conjuntos pelo menos uma vez ao ano, com relatórios ao final de cada atividade para identificar falhas, dificuldades e ajustes necessários. O documento também prevê revisões periódicas, com atualização de contatos, listas de recursos, logística e estrutura de emergência.

Com o Plano Municipal de Contingência 2025/2029, Sumaré formaliza um modelo de resposta mais organizado e previsível, voltado a proteger vidas, reduzir prejuízos e acelerar a retomada da cidade após eventos extremos.


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