Câmara de Monte Mor rejeita contas de 2016 do ex-prefeito Thiago Assis
Vereadores aprovaram projeto que acompanha parecer desfavorável do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo; análise aponta para problema financeiro, pendências previdenciárias e irregularidades na administração municipal
A Câmara Municipal de Monte Mor rejeitou, na sessão
ordinária desta terça-feira (3), as contas de 2016 da Prefeitura, referentes à
gestão do ex-prefeito Thiago Assis (PSB). Os vereadores aprovaram o Projeto de
Decreto Legislativo nº 15/2026, elaborado pela Comissão de Finanças e
Orçamento, que acompanha o parecer desfavorável do Tribunal de Contas do Estado
de São Paulo (TCE-SP). A decisão representa uma nova deliberação do Legislativo
sobre a prestação de contas do último ano do primeiro mandato de Assis, período
marcado por apontamentos dos órgãos de fiscalização sobre a situação financeira
do município.
O projeto foi apresentado em 29 de outubro e recebeu a
assinatura dos integrantes da Comissão de Finanças e Orçamento: Roger Santos,
presidente; Andrea Garcia, vice-presidente; e João do Bar, secretário. A
proposta estabelece a aprovação do parecer emitido pelo TCE-SP e,
consequentemente, a rejeição das contas anuais de 2016.
Entre os problemas identificados pelo Tribunal de Contas
estão a situação financeira do município, a falta de recolhimento de encargos
sociais, inclusive valores descontados dos servidores, e a ausência de recursos
suficientes para cobrir despesas assumidas nos últimos meses daquele exercício.
A fiscalização também apontou alterações salariais consideradas incompatíveis
com a legislação eleitoral.
Os apontamentos incluem dificuldades relacionadas ao
Instituto de Previdência Municipal de Monte Mor (Ipremor), responsável pelo
regime próprio de aposentadoria dos servidores públicos. A ausência de repasses
previdenciários esteve entre os principais fatores considerados na avaliação
desfavorável das contas.
A aprovação do projeto ocorreu durante a 38ª Sessão Ordinária de 2026. Conforme o registro oficial do Sistema de Apoio ao Processo Legislativo (SAPL), tanto o parecer do Tribunal de Contas quanto o decreto legislativo que formaliza a reprovação receberam aprovação do plenário.
CONTAS JÁ HAVIAM SIDO REJEITADAS EM 2021
A prestação de contas de 2016 já havia sido analisada pela
Câmara em junho de 2021. Na ocasião, os vereadores também acompanharam a
manifestação desfavorável do TCE-SP e reprovaram os demonstrativos financeiros
da administração Thiago Assis por 12 votos favoráveis e três contrários.
Naquela análise, foram destacados déficits orçamentários e financeiros,
insuficiência de vagas na educação infantil e pendências com o sistema
previdenciário dos servidores municipais.
O parecer da Comissão de Finanças e Orçamento da época
mencionava aproximadamente R$ 15,3 milhões em valores devidos pelo município ao
Ipremor referentes à contribuição patronal, além de cerca de R$ 856 mil
relacionados à parcela descontada dos funcionários.
Durante a tramitação daquele processo, Thiago Assis
apresentou defesa e contestou os apontamentos. O ex-prefeito argumentou que sua
administração enfrentou dificuldades financeiras e buscou medidas para
equilibrar as contas públicas, incluindo o parcelamento de obrigações
previdenciárias autorizado pelo Legislativo.
A nova votação ocorre após discussões sobre decisões
anteriores envolvendo as contas da gestão Assis. Em 2024, uma tentativa de dar
andamento à possível anulação de rejeições referentes aos exercícios de 2016 a
2019 foi alvo de questionamento judicial.
DECISÃO REFORÇA PARECER DO TRIBUNAL
A análise das contas municipais é uma das atribuições fiscalizadoras da Câmara de Vereadores, que realiza o julgamento político-administrativo com base no parecer prévio emitido pelo Tribunal de Contas. No caso de Monte Mor, a decisão de 3 de novembro acompanhou a avaliação desfavorável do órgão estadual de fiscalização e manteve a reprovação das contas de 2016.
A rejeição de contas pode produzir consequências jurídicas e
eleitorais, mas eventuais efeitos sobre os direitos políticos do ex-prefeito
dependem dos requisitos previstos na legislação e da análise das instâncias
competentes. A decisão legislativa, isoladamente, não significa perda
automática de direitos políticos.
Na mesma sessão, a Câmara também aprovou a rejeição das contas referentes ao exercício de 2017, igualmente vinculado à administração de Thiago Assis. A votação coloca novamente em discussão a gestão dos recursos públicos durante o período em que o ex-prefeito esteve à frente da administração municipal e os desdobramentos das decisões tomadas pelos órgãos de controle e pelo Legislativo.

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