Política
Ex-ministro José Dirceu é pré-candidato a deputado federal depois de 24 anos

José Dirceu acredita na retomada do PT na RMC e aponta força de Sumaré e Hortolândia

Ex-ministro afirma que as cidades da região são tratadas como estratégicas no pleito deste ano; base operária e universitária sustenta presença da esquerda, diz; para ele, Sumaré e Hortolândia são como ‘pilares’

De olho na reconfiguração política da Região Metropolitana de Campinas (RMC), o ex-ministro José Dirceu aposta na força histórica do PT em cidades como Sumaré e Hortolândia para impulsionar o projeto da esquerda nas urnas nas eleições deste ano. Em entrevista exclusiva ao Tribuna Liberal, ele destacou o peso da classe trabalhadora, das universidades e dos movimentos sociais na sustentação do partido, ao mesmo tempo em que aponta desafios para ampliar espaço em municípios mais alinhados à direita, como Americana, Nova Odessa e Paulínia. Confira a entrevista na íntegra:

Tribuna Liberal: O PT tem uma presença histórica em cidades como Sumaré e Hortolândia. Como o senhor avalia hoje a força do partido nesses municípios e quais são as estratégias para manter essa base eleitoral ativa?

José Dirceu: O PT continua tendo uma presença importante na Região Metropolitana de Campinas, fruto de uma classe trabalhadora numerosa e organizada (metalúrgicos, eletricitários, petroleiros, bancários, servidores públicos etc), movimentos sociais organizados (na habitação, na saúde, direitos humanos, educação e cultura etc) e um setor universitário fundamental para o desenvolvimento do Estado e do país, capaz de formular um pensamento crítico a este governo estadual que não tem um projeto de inclusão social e desenvolvimento econômico sustentável. A base eleitoral está e estará ativa exatamente na defesa da agenda do presidente Lula e no questionamento de um governo Tarcísio que não apresenta um projeto para o desenvolvimento social e econômico do estado, não incentiva a pesquisa e a inovação, que não dialoga com os municípios, não investe na segurança pública de fato e abandona o ensino médio, fundamental, técnico e tecnológico.

Por outro lado, cidades da mesma região como Americana, Nova Odessa e Paulínia têm um histórico mais alinhado à direita. O PT deve ampliar presença política nesses municípios? Como, em sua opinião?

O PT já elegeu prefeitos em Campinas, Sumaré, Hortolândia, Artur Nogueira, Cosmópolis e vereadores e vereadoras em diversos municípios da RMC. Também elegeu deputados federais e estaduais na região. Por isso, deverá lançar lideranças regionais para esta eleição fundamental, contribuindo como sempre contribuiu para o debate estadual e nacional.

Pensando nas eleições deste ano, qual é a importância da região de Campinas para as disputas a deputado estadual e deputado federal?

A Região de Campinas concentra grande parte da pesquisa e inovação do estado e do país, podendo contribuir ainda mais para o desenvolvimento sustentável nacional. Mas para isso, é necessário investimentos reais do governo do estado na montagem de um sistema de inovação, articulando instituições existentes com mecanismos de financiamento e unindo o setor público com o setor privado.

O senhor acredita que o PT deve investir em candidaturas regionais fortes para deputado estadual e federal em Sumaré, Hortolândia, Monte Mor, Nova Odessa, Americana e Paulínia?

O PT estará investindo em candidaturas regionais para a Câmara Federal e a Assembleia Legislativa de São Paulo, como no caso do candidato a prefeito de Campinas Pedro Tourinho e Guida Calixto para deputados federais e a companheira Ana Perugini, candidata à reeleição para deputada estadual. O companheiro Willian, de Sumaré, que disputou o segundo turno da eleição para prefeito em Sumaré, com votação expressiva, também deverá nos representar nesta disputa.

Nos últimos anos, a região passou por mudanças demográficas e crescimento populacional acelerado. Como isso pode impactar o mapa eleitoral e a disputa entre esquerda e direita nesses municípios?

Em relação à direita, o que vemos é a disseminação de um discurso de ódio e violência, com a precarização do trabalho, o feminicídio, a homofobia e o racismo avançando em seus governos. Estes temas estarão em debate nestas eleições, e a esquerda tem o que mostrar.

Sumaré perdeu recentemente uma liderança histórica do partido, o ex-prefeito José Antonio Bacchim. Como o senhor avalia o legado político dele para o PT na cidade e na região?

O companheiro Bacchim foi fundamental para a construção de um projeto de esquerda em Sumaré, exemplo para o estado e o Brasil. Como vereador e principalmente em seus dois mandatos como prefeito, foi exemplo na implantação do Modo Petista de Governar, implantando políticas sociais com participação popular que transformaram a cidade de Sumaré e servem de exemplo até hoje, como a Casa da Cidadania e políticas de inclusão para negros, jovens, idosos, mulheres e pessoas com deficiência. O querido Professor Bacchim já deixa saudades, mas permanecerá vivo com seu exemplo de luta.

Na sua visão, quem pode ocupar hoje esse papel de liderança política regional que figuras como Bacchim tiveram no passado recente em Sumaré?

Muitas jovens lideranças podem assumir esta tarefa na região de Campinas, assumindo o legado de figuras fundamentais como os companheiros Bacchim, Ângelo Perugini e Toninho. O companheiro Pedro Tourinho pode cumprir este papel, assim como a companheira Guida Calixto e o companheiro Willian, de Sumaré, além da combativa deputada estadual Ana Perugini.

O senhor acredita que a região de Sumaré, Hortolândia e entorno pode voltar a ser um polo eleitoral decisivo para o PT nas eleições proporcionais em 2026?

A região sempre teve um papel importante na eleição para o Legislativo, apoiando nossas candidaturas e ajudando o presidente Lula a governar o Brasil.

Pensando na eleição presidencial, qual é a expectativa do senhor para a votação do PT e do campo progressista na região?

O PT e o campo progressista têm condições de alcançar uma grande votação na região e no estado, elegendo senador, como as pesquisas já mostram, e colocando o companheiro Haddad no segundo turno das eleições para governador, derrotando o projeto de exclusão social e atraso econômico do governo Tarcísio.

Para encerrar, qual mensagem o senhor gostaria de deixar aos eleitores de Sumaré, Hortolândia, Americana, Nova Odessa, Paulínia e Monte Mor sobre o papel da região no futuro político do país?

A região de Sumaré, Hortolândia, Americana, Paulínia, Nova Odessa e Monte Mor deve ter um papel ainda maior no futuro político do país, através da força de sua indústria, do comércio, das instituições de pesquisa e ensino. Para isso, precisam caminhar com um novo projeto para o estado de São Paulo liderado pelo companheiro Haddad e alinhado com a reeleição do presidente Lula. Proteger nossas indústrias, proteger nossos trabalhadores e trabalhadoras, incentivar os microempreendedores, investir na pesquisa e inovação, bem como na infraestrutura da região, são desafios urgentes que precisam ser enfrentados, e só serão por um governo realmente preocupado com todos os brasileiros paulistas. Um governo de alguém que realmente conhece São Paulo na palma da mão. Por isso será importante eleger Haddad governador.

 

 

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