Política
Decisão gera consequências para o exercício das funções públicas de Hélio Silva

Justiça torna Hélio Silva réu e o afasta da Câmara de Sumaré por 180 dias

Presidente licenciado do Legislativo teve prisão preventiva decretada após denúncia do Ministério Público por suspeita de envolvimento com tráfico de drogas; decisão também impede utilização de veículos, servidores e instalações da Câmara

A situação judicial do presidente licenciado da Câmara de Sumaré, Hélio Silva (Cidadania) ganhou um novo capítulo. Preso desde setembro por suspeita de participação em um esquema de distribuição de drogas, o vereador agora responderá a uma ação penal e permanecerá detido preventivamente.

A decisão é do juiz Leonardo Delfino e determina o afastamento do político da presidência do Legislativo por pelo menos 180 dias, além de estabelecer restrições ao acesso à estrutura administrativa da Casa.

O magistrado acolheu a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo, que atribui ao parlamentar os crimes de associação para o tráfico, dois episódios de tráfico de drogas e posse irregular de arma de fogo e munições de uso permitido.

Com o recebimento da acusação, Hélio passa formalmente à condição de réu. A medida representa uma nova etapa do processo, mas não constitui condenação. A mesma determinação judicial alcança outros dois investigados por suposta participação no esquema criminoso. Ambos tiveram a prisão preventiva decretada e passaram a responder à ação penal.

Segundo os elementos reunidos pela Polícia Federal durante a Operação Archimagus, Hélio, conhecido como “Mister M”, teria exercido uma função financeira na estrutura investigada.

A suspeita é de que recursos fornecidos pelo parlamentar fossem utilizados para adquirir entorpecentes, posteriormente armazenados em um sítio localizado em Jacutinga, interior de Minas Gerais, antes de serem encaminhados a pontos de comercialização em Sumaré, cidade em que atua como parlamentar.

Parte das suspeitas envolve encontros entre o vereador e outros investigados. Registros analisados pela polícia apontam reuniões frequentes nas proximidades de estabelecimentos associados à investigação. Em determinadas ocasiões, Hélio teria utilizado um veículo oficial da Câmara e recebido sacolas com volumes que aparentavam conter dinheiro.

A apuração também considera materiais recolhidos durante as buscas, movimentações financeiras, mensagens encontradas em aparelhos celulares e possíveis ligações entre imóveis relacionados ao parlamentar e atividades investigadas pela polícia.

Para a Justiça, os indícios apresentados justificam a manutenção da custódia cautelar enquanto o processo avança. A prisão, anteriormente temporária, foi convertida em preventiva.

Além da situação criminal, a decisão provoca consequências para o exercício das funções públicas de Hélio Silva. Embora já estivesse licenciado das atividades legislativas desde a prisão, em setembro, o vereador agora está impedido judicialmente de exercer a presidência da Câmara pelo período mínimo de 180 dias.

A determinação também restringe seu acesso às dependências do Legislativo e proíbe a utilização de veículos oficiais, funcionários, sistemas administrativos e demais recursos vinculados à instituição.

A medida visa impedir que a posição ocupada pelo parlamentar seja utilizada para interferir nas investigações ou influenciar pessoas relacionadas ao processo. O afastamento não representa, neste momento, a perda definitiva do mandato eletivo.

A Câmara Municipal foi oficialmente comunicada e adotará as providências necessárias para cumprir a ordem judicial.

O Legislativo permanece em funcionamento, sob a presidência interina do vereador Lucas Agostinho (União Brasil), primeiro vice-presidente da Mesa Diretora, responsável pela condução administrativa e pelas sessões da Casa. A defesa de Hélio Silva já contestou as acusações e negou irregularidades.

CASO COMEÇOU EM SETEMBRO COM OPERAÇÃO DA PF

O caso vem sendo acompanhado pelo Tribuna Liberal desde 9 de setembro, quando Hélio Silva foi surpreendido por uma operação policial que investigava a atuação de um grupo suspeito de financiar, armazenar e comercializar drogas na região de Sumaré.

Naquela manhã, a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) de Campinas deflagrou a Operação Archimagus, com cumprimento de dois mandados de prisão temporária e dez ordens de busca e apreensão em Sumaré, Campinas, Vinhedo e Jacutinga, em Minas Gerais.

As investigações apontavam uma possível estrutura de distribuição de entorpecentes que utilizaria imóveis e estabelecimentos comerciais. A polícia também passou a verificar possíveis movimentações financeiras e o uso de bens ligados aos investigados.

Durante as diligências, agentes encontraram na residência do parlamentar uma pistola calibre 380, uma carabina, 105 munições, R$ 18.215 em dinheiro, joias, documentos e aparelhos celulares. Outros materiais e valores foram recolhidos em endereços ligados à investigação.

Na época, Hélio ocupava a presidência da Câmara para o biênio 2025-2026 e participava da disputa por uma vaga de deputado federal. A prisão também provocou consequências políticas. Em 10 de setembro, conforme noticiado pelo Tribuna Liberal, a direção estadual do Cidadania anunciou a suspensão do vereador de suas funções partidárias. Ele presidia o diretório municipal da legenda em Sumaré.

Diante da repercussão, Hélio solicitou uma licença não remunerada de 30 dias do mandato e da presidência da Câmara, abrindo espaço para que Lucas Agostinho assumisse temporariamente o comando do Legislativo.

Outra reportagem publicada pelo Tribuna Liberal, em 12 de setembro, revelou uma mudança no patrimônio declarado pelo vereador à Justiça Eleitoral. Em 2024, Hélio havia informado possuir R$ 201,8 mil em bens. Já na eleição de 2026, o patrimônio declarado chegou a aproximadamente R$ 1,13 milhão, uma diferença próxima de R$ 929 mil em dois anos. A variação patrimonial, por si só, não comprova irregularidade.

Mesmo preso, o vereador permaneceu na corrida eleitoral. Em 15 de setembro, familiares utilizaram suas redes sociais para divulgar uma manifestação de apoio e defender a continuidade da candidatura.

A eleição, porém, terminou sem a conquista de uma cadeira na Câmara dos Deputados. Hélio recebeu 1.216 votos em Sumaré, número inferior aos 1.916 obtidos quando foi reeleito vereador em 2024. Em todo o Estado, somou 1.981 votos e ficou na condição de suplente.

Antes disso, em 6 de outubro, a Justiça já havia autorizado a permanência do parlamentar na prisão temporária por mais 30 dias, permitindo o prosseguimento das diligências policiais.

 

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