Política
Medida reflete avanço na modernização administrativa, sustentabilidade e qualificação de serviços públicos

Prefeito Leitinho quer criar Política de Transição Energética em Nova Odessa

Projeto enviado à Câmara de Vereadores institui regras para eletrificação de frotas, compras internacionais e captação de recursos junto ao BNDES, estabelecendo diretrizes de governança, compliance e a rastreabilidade dos contratos

O prefeito Cláudio Schooder, o Leitinho (PSD), encaminhou à Câmara de Nova Odessa projeto de lei que institui a Política Municipal de Transição Energética, Eletrificação de Frotas e Inovação Tecnológica Sustentável, estabelecendo diretrizes de governança e segurança jurídica para contratações com componente internacional.

A proposta cria um marco normativo municipal para disciplinar compras públicas estratégicas, especialmente aquelas relacionadas à transição energética, à eletrificação gradual de frotas públicas e à incorporação de tecnologias sustentáveis, digitais e inovadoras na prestação de serviços à população.

Na justificativa, o prefeito argumenta que a administração municipal enfrenta desafios técnicos, econômicos e jurídicos crescentes na aquisição de bens e serviços de alta complexidade tecnológica, muitos deles inseridos em cadeias produtivas internacionais e sujeitos a exigências específicas de governança, compliance e rastreabilidade. A ausência de diretrizes normativas próprias, segundo o texto, pode gerar insegurança jurídica, dificuldades operacionais e riscos na gestão contratual, especialmente quando há financiamento externo ou fornecedores estrangeiros envolvidos.

O projeto estabelece que as contratações deverão observar a nova lei de licitações, além das normas federais relativas a comércio exterior, câmbio, aduana, tributação, transporte internacional e seguros. A proposta disciplina modalidades de importação, possibilidade de pagamento em moeda estrangeira e gestão de riscos cambiais, condicionadas à análise técnica, jurídica e financeira, bem como à previsão expressa em edital e contrato.

Um dos principais avanços apontados pelo Executivo é a adoção do conceito de Custo Total de Propriedade (Total Cost of Ownership – TCO) como critério técnico de avaliação das propostas. Em vez de considerar apenas o menor preço inicial, a administração deverá analisar o custo global ao longo do ciclo de vida do bem ou serviço, incluindo aquisição, logística, consumo de energia, manutenção, peças, atualização tecnológica, garantias, descarte e logística reversa. A medida busca decisões mais sustentáveis sob a ótica do interesse público, especialmente em projetos de eletrificação de frotas e infraestrutura.

A proposta também prevê a criação do Núcleo Municipal de Compras Estratégicas e Projetos de Transição Energética (NMCET), de natureza consultiva e de assessoramento técnico, coordenado pela Secretaria de Administração e composto por representantes das áreas de Finanças, Governo, Assuntos Jurídicos e da unidade demandante. Entre as atribuições estão a recomendação de padrões técnicos e minutas contratuais, a proposição de matrizes de risco, a sugestão de indicadores de desempenho e o apoio à estruturação de projetos financiáveis.

RECURSOS EXTERNOS

O projeto trata ainda da possibilidade de estruturação de projetos para captação de recursos externos, inclusive junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDS), por meio de instrumentos como o Fundo Clima. O texto prevê a adoção de mecanismos de mensuração, reporte e verificação e indicadores ambientais e operacionais, quando exigidos pelos financiadores, além de cláusulas de integridade, rastreabilidade documental e publicidade ativa dos principais atos processuais.

O Executivo ressalta que o projeto não cria despesas obrigatórias automáticas nem institui obrigações financeiras sem a correspondente previsão orçamentária, limitando-se a estabelecer diretrizes, instrumentos de governança e critérios procedimentais cuja implementação dependerá de planejamento e regulamentação posterior por decreto.

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