Sumaré cria programa permanente de conscientização da febre maculosa
Nova lei estabelece ações contínuas de prevenção, informação e educação em saúde, além do ‘Dia D’ de combate à doença, marcado para 13 de julho; objetivo é ampliar o conhecimento da população sobre sintomas e riscos da febre do carrapato
A Prefeitura de Sumaré sancionou uma nova lei que institui o
Programa Municipal Permanente de Conscientização, Prevenção e Educação sobre a
Febre Maculosa, doença também conhecida como febre do carrapato. A iniciativa
estabelece ações contínuas de orientação à população e cria o “Dia D Municipal
de Conscientização da Febre Maculosa”, a ser realizado anualmente em 13 de
julho.
A medida tem como objetivo ampliar o conhecimento da
população sobre a doença, reforçando práticas de prevenção, a identificação
precoce dos sintomas e a busca imediata por atendimento médico. A proposta
busca reduzir casos graves e óbitos evitáveis por meio da informação e da
mobilização social.
De acordo com a lei, o programa deverá promover atividades
educativas e informativas voltadas a todas as faixas etárias. Entre as ações
previstas estão palestras educativas com material visual ilustrativo, conteúdos
adaptados para diferentes públicos, orientações sobre sinais de alerta,
diagnóstico precoce e medidas de prevenção, além da distribuição de materiais
informativos em formato físico e digital.
As atividades deverão ocorrer em diversos espaços do
município, como escolas públicas e privadas, Unidades Básicas de Saúde, centros
de convivência, CRAS, praças, parques, eventos oficiais e outros espaços
comunitários, além de instituições parceiras. A legislação também determina que
as ações sejam conduzidas por profissionais capacitados e que o município
desenvolva material educativo oficial, com registro, monitoramento e avaliação
das atividades realizadas.
Outro ponto destacado pela lei é a garantia de
acessibilidade e inclusão nas ações do programa. Os conteúdos deverão
contemplar recursos como tradução em Libras, legendas em materiais
audiovisuais, conteúdos visuais explicativos e versões digitais acessíveis para
a comunidade surda. Já para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA),
as atividades deverão utilizar linguagem simples, materiais com baixo estímulo
sensorial e organização prévia das ações, garantindo melhor compreensão e
participação.
O Dia D Municipal de Conscientização da Febre Maculosa,
instituído pela nova legislação, será realizado em homenagem a Eduardo
Brazilino Queiroz, vítima da doença. A iniciativa busca preservar sua memória e
transformar sua história em um instrumento permanente de educação, prevenção e
valorização da vida.
A lei também autoriza o município a firmar convênios e parcerias para ampliar o alcance das ações de conscientização.
APÓS MORTE DE JOVEM, PROJETO DISCIPLINOU DIAGNÓSTICO DA
DOENÇA EM SUMARÉ
Após a morte do adolescente Eduardo Brazilino de Queiroz, de 13 anos, em junho de 2024, vítima de febre maculosa, mas tratado como caso de dengue, o vereador Professor Edinho (Republicanos) teve aprovado projeto de lei que disciplinou o diagnóstico da doença nas unidades de saúde de Sumaré.
O
projeto estabeleceu a Lei “Eduardo Brazilino Queiroz” que visa garantir maior
precisão e agilidade no atendimento a vítimas da doença, prevenindo negligência
e aumentando as chances de recuperação dos pacientes.
A febre maculosa é uma doença infecciosa transmitida pelo carrapato estrela e pode levar a complicações graves se não for diagnosticada e tratada precocemente. O projeto reforçou a necessidade de capacitação dos profissionais de saúde para identificar a doença com rapidez e prescrever o tratamento adequado.
Doença vitimou Eduardo Queiroz, aos 13 anos, em junho de 2024
O projeto foi criado após a trágica perda de Eduardo
Brazilino Queiroz, que faleceu em decorrência da doença após passar por vários
atendimentos sem um diagnóstico correto.
A mãe do jovem, Ianca Brazilino Queiroz, de 27 anos,
moradora do Jardim Luiz Cia, defende a importância da legislação como forma de
prevenção e conscientização. Professor Edinho afirmou que a proposta visa
evitar novas tragédias e garantir atendimento mais humanizado e eficiente.
MÃE DE EDUARDO QUEIROZ TRANSFORMA LUTO EM LEI DE
CONSCIENTIZAÇÃO PARA SUMARÉ
A dor pela perda de um filho foi o que motivou a mãe Ianca
Queiroz a transformar o luto em uma luta pela vida. Após a morte de seu filho,
Eduardo, vítima de febre maculosa, a família decidiu buscar uma forma de
alertar outras pessoas sobre os riscos da doença e a importância do diagnóstico
precoce.
Segundo Ianca, a perda aconteceu de forma muito rápida e
dolorosa. A febre maculosa é uma doença grave e, muitas vezes, seus primeiros
sintomas podem ser confundidos com outras enfermidades, o que pode atrasar o
diagnóstico e o início do tratamento.
“Essa experiência mostrou para todos nós o quanto a
população precisa estar informada sobre os sinais da doença e sobre a
importância de procurar atendimento médico o mais rápido possível”, relata a
mãe.
Ianca Queiroz: “Que a história do Eduardo sirva para alertar, conscientizar e salvar vidas”
Diante da tragédia, a família decidiu que a história de
Eduardo não poderia terminar apenas na dor. Foi então que nasceu a ideia de
criar uma lei voltada à conscientização da população.
A proposta foi levada ao gabinete do prefeito, que
compreendeu a importância da iniciativa e apoiou a causa. A partir desse
diálogo, o projeto avançou e se transformou em uma lei municipal com foco na
prevenção e na disseminação de informações sobre a febre maculosa em Sumaré.
A nova legislação cria um programa permanente de
conscientização sobre a doença. A iniciativa prevê ações educativas em escolas,
unidades de saúde e espaços públicos, com palestras, distribuição de materiais
informativos e atividades de orientação sobre prevenção.
Além disso, a lei institui um Dia Municipal de
Conscientização sobre a febre maculosa, para que todos os anos a cidade reforce
a importância do combate à doença e do acesso à informação.
Para Ianca, o objetivo é claro: evitar que outras famílias enfrentem a mesma dor. “Como mãe, o que eu espero é que nenhuma outra família precise passar por isso. Que a história do Eduardo sirva para alertar, conscientizar e salvar vidas. Se essa lei conseguir evitar uma única morte, já terá cumprido um papel muito importante”, afirma.
A mãe também reforça a importância da atenção aos sintomas.
Pessoas que estiveram em áreas de risco e apresentarem sinais como febre, dores
no corpo ou manchas na pele devem procurar atendimento médico imediatamente.
Para a família, a iniciativa representa uma forma de manter
viva a memória de Eduardo e transformar uma perda irreparável em uma ação capaz
de proteger outras vidas. “Transformamos o luto em uma lei para que outras
famílias não passem pela mesma dor”, conclui Ianca. (Paulo Medina)

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