Política
Ministro Alexandre de Moraes cobra explicações sobre tornozeleira e cursos de ‘Débora do Batom’

Supremo solicita esclarecimentos de falhas em tornozeleira de paulinense

Decisão atende pedido da PGR e busca esclarecer se falhas no sinal do equipamento foram técnicas ou se enquadram em descumprimento de ordem judicial; STF requisitou documentos sobre cursos feitos pela condenada em Tremembé

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou que a Secretaria de Administração Penitenciária de São Paulo (SAP) apresente, no prazo de cinco dias, esclarecimentos sobre registros de falhas no monitoramento eletrônico da cabeleireira paulinense Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como “Débora do Batom”. A medida foi tomada após questionamentos da Procuradoria-Geral da República (PGR).

A decisão busca esclarecer se as interrupções no sinal de GPS da tornozeleira eletrônica foram provocadas por problemas técnicos no sistema ou se indicam eventual descumprimento das medidas impostas pela Justiça. Relatórios de monitoramento apontaram dezenas de registros de ausência de sinal durante o período em que Débora cumpre prisão domiciliar.

A defesa da condenada sustenta que as ocorrências decorreram exclusivamente de instabilidades no equipamento e afirma que ela permaneceu em sua residência durante todo o período, sem violar as determinações judiciais.

Além dos esclarecimentos sobre o monitoramento, Moraes também solicitou informações à Penitenciária Feminina de Tremembé. A unidade deverá comprovar a validade dos cursos profissionalizantes realizados por Débora, informar se existe convênio com o Poder Público para essas atividades e apresentar os certificados oficiais, além de demonstrar que os cursos fazem parte do projeto pedagógico da instituição.

As informações serão utilizadas pelo STF para analisar pedidos apresentados pela defesa, entre eles o reconhecimento de remissão de pena por estudo, trabalho e aprovação no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), além da progressão para o regime semiaberto, autorização para trabalho externo, saídas temporárias e o pedido de reconhecimento de excesso de execução da pena.

Débora Rodrigues foi condenada a 14 anos de prisão pelos crimes de associação criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

Ela ganhou notoriedade após escrever, com um batom, a frase “Perdeu, mané” na Estátua da Justiça durante os atos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília. O caso passou a ser utilizado por setores da direita como exemplo de suposta desproporcionalidade nas penas aplicadas aos envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes.

 

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