Urnas redesenham a política e abrem espaço a novas lideranças em Sumaré
Derrota de Eder Dalben na disputa pela Prefeitura e votações menores de Luiz e Antonio Dirceu Dalben contrastam com avanço de Henrique e Raí do Paraíso, Willian Souza e outros nomes que ampliaram presença eleitoral no município
As duas últimas eleições apontam para uma mudança importante no mapa político de Sumaré. Depois de anos em que a família Dalben ocupou posição central nas disputas eleitorais do município, os resultados de 2024 e 2026 mostram um eleitorado mais aberto a outras lideranças e uma distribuição de votos bastante diferente daquela observada no início da década.
A mudança começou a ficar mais evidente na eleição municipal de 2024. Naquele ano, Eder Dalben (Cidadania) tentou manter o grupo da família no comando da Prefeitura, mas terminou o primeiro turno na terceira colocação, com 21.819 votos, ou 16,95% dos válidos. Henrique do Paraíso (Republicanos) liderou com 57.171 votos, 44,41%, enquanto Willian Souza (PT) recebeu 40.550, 31,50%.
Henrique e Willian avançaram para o segundo turno, deixando naquele pleito a família Dalben fora da disputa final pelo comando do Executivo. Henrique acabou eleito prefeito com 72.003 votos, equivalentes a 58,22% dos válidos. Willian terminou com 51.668 votos, ou 41,78%.
A comparação com 2020 ajuda a dimensionar a transformação. Luiz Dalben havia sido reeleito prefeito naquele ano com 60,7% dos votos válidos. Quatro anos depois, a candidatura de Eder Dalben ficou em 16,95%. A queda foi de quase 44 pontos percentuais na participação eleitoral do grupo na disputa pela Prefeitura.
Dois anos depois, as urnas de 2026 reforçaram esse processo de redistribuição das forças políticas locais.
Na eleição para deputado federal, Raí do Paraíso (Republicanos), irmão do prefeito Henrique do Paraíso e vereador em segundo mandato, foi disparado o candidato mais votado em Sumaré. Ele recebeu 42.328 votos, equivalentes a 30,55% dos votos válidos para o cargo no município.
Lucas Pavanato (PL) apareceu em seguida, com 16.286 votos, seguido de Erika Hilton (PSOL), com 7.702. Luiz Dalben (PSD), ex-prefeito de Sumaré, terminou em quarto lugar na votação municipal para deputado federal, com 5.632 votos, ou 4,06%.
A distância entre Raí e Luiz ajuda a mostrar o tamanho da mudança eleitoral. O candidato do Republicanos recebeu em Sumaré mais de sete vezes a votação alcançada pelo ex-prefeito na disputa federal.
Raí também ampliou de forma expressiva sua própria base eleitoral. Em 2024, quando foi eleito vereador, havia recebido 2.261 votos. Na eleição federal de domingo, chegou a 42.328 votos somente em Sumaré. O crescimento ocorreu em um período de dois anos e acompanhou a ascensão do grupo político liderado atualmente pelo prefeito Henrique do Paraíso.
O movimento não ficou restrito ao grupo governista. Na eleição para deputado estadual, Willian Souza (PT) foi o mais votado em Sumaré, com 24.697 votos, correspondentes a 18,08% dos válidos.
O resultado mantém Willian como uma das principais forças eleitorais do município depois de ter chegado ao segundo turno da eleição para prefeito em 2024. Na ocasião, ele havia recebido 40.550 votos no primeiro turno e 51.668 no segundo.
A votação para a Assembleia Legislativa também revelou outros nomes com presença significativa no eleitorado sumareense. Rafael Virginelli (MDB) recebeu 13.117 votos, Eduarda Campopiano (PL), 12.712, e Alan Leal (PRD), 9.304.
Dirceu Dalben (PSD), que durante anos concentrou parte importante da votação local para deputado estadual, terminou em quinto lugar em Sumaré, com 6.616 votos, equivalentes a 4,84% dos válidos.
Os números não significam que a família Dalben tenha deixado de ter presença política no município. Luiz e Dirceu continuam sendo figuras conhecidas do eleitorado e mantêm grupos e relações políticas construídas ao longo de décadas. As urnas, porém, mostram uma redução importante da concentração eleitoral que já esteve associada ao sobrenome.
ELEITOR DISTRIBUI FORÇA ENTRE NOVOS POLOS
O cenário formado entre 2024 e 2026 mostra também que Sumaré não substituiu simplesmente um grupo por outro. O eleitor passou a distribuir sua preferência entre diferentes polos.
Henrique do Paraíso venceu a Prefeitura em 2024. Seu irmão Raí obteve a maior votação para deputado federal na cidade em 2026. Ao mesmo tempo, Willian Souza, principal adversário de Henrique na eleição municipal, liderou a votação para deputado estadual dois anos depois.
Rafael Virginelli, Eduarda Campopiano e Alan Leal também apareceram com votações de milhares de votos, ampliando o número de lideranças capazes de mobilizar parcelas relevantes do eleitorado local.
Essa fragmentação fica ainda mais clara quando os resultados são comparados com períodos em que os Dalben concentravam Prefeitura e representação parlamentar. Em 2026, Luiz Dalben terminou com 5.632 votos em Sumaré na disputa federal, enquanto Dirceu recebeu 6.616 para estadual.
Nenhum candidato diretamente ligado a Sumaré conseguiu se eleger deputado federal ou estadual em 2026, apesar das votações expressivas obtidas dentro do município.
Ainda assim, as urnas deixaram uma fotografia diferente da política sumareense. Em apenas dois ciclos eleitorais, nomes que até poucos anos atrás ocupavam posições secundárias passaram para o centro das disputas, enquanto lideranças tradicionais perderam espaço na preferência local.
Mais do que apontar o desaparecimento de um grupo político, os resultados de 2024 e 2026 indicam uma reorganização. O eleitorado de Sumaré mostrou disposição para testar novos nomes, dividir sua votação entre diferentes campos e alterar rapidamente a correlação de forças da cidade.
Com a eleição municipal de 2028 como próximo grande teste local, Henrique e Raí do Paraíso, Willian Souza e outras lideranças que cresceram nas últimas duas eleições chegam ao novo ciclo ocupando espaços que, durante muitos anos, tiveram presença predominante da família Dalben.

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