Economia
Contraste revela mercado aquecido, mas com vínculos frágeis e pouca proteção social

Índice de informalidade supera região e vira desafio à economia em Sumaré

Mesmo com uma das menores taxas de desemprego registradas na Região Metropolitana de Campinas, cidade enfrenta cenário em que 70% dos trabalhadores ocupados no município estão na informalidade ainda em 2026

Sumaré vive um paradoxo no mercado de trabalho. Enquanto apresenta um dos melhores desempenhos da Região Metropolitana de Campinas (RMC) na geração de empregos, com baixos índices de desocupação, o município convive com um alto nível de informalidade entre os trabalhadores.

De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a taxa de informalidade na RMC está em 50,2%. Em Sumaré, no entanto, esse índice chega a 70,9% das pessoas ocupadas, revelando um desafio estrutural para a economia da cidade.

Os indicadores de emprego mostram um cenário positivo: Sumaré registra taxa de desemprego de 3% e nível de ocupação de 96,9%, o que, segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, expõe o dinamismo econômico e a geração de oportunidades. Ainda assim, a predominância de vínculos informais aponta para a fragilidade nas relações de trabalho e menor acesso a direitos e benefícios.

Diante desse quadro, a Prefeitura de Sumaré informou que tem intensificado ações voltadas à formalização e ao fortalecimento da economia. Por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, o município aposta em políticas públicas que buscam transformar a qualidade das ocupações.

Entre as medidas mais imediatas está o reforço no atendimento ao trabalhador e ao empreendedor, com atuação integrada do Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT), do Sebrae Aqui e do Banco do Povo. A estratégia inclui orientação, capacitação e incentivo à formalização, especialmente por meio do registro como Microempreendedor Individual (MEI).

O apoio aos pequenos negócios também tem sido ampliado, com oferta de suporte técnico e incentivo ao empreendedorismo. A proposta é criar um ambiente mais favorável para que trabalhadores informais consigam regularizar suas atividades e expandir seus empreendimentos.

Na área do emprego, a intermediação de mão de obra vem sendo intensificada para aproximar trabalhadores das vagas formais disponíveis. Paralelamente, o município investe em qualificação profissional alinhada às demandas do mercado, com foco em setores estratégicos como indústria, logística e serviços.

Para isso, a prefeitura disse que tem fortalecido parcerias com instituições de ensino e formação profissional, como Senai, Etec, Fatec, Centro Paula Souza e Senac a fim de aumentar a oferta de cursos e as chances de inserção dos trabalhadores em empregos formais.

No médio prazo, a estratégia é aproximar grandes empresas de fornecedores locais, fortalecendo a cadeia produtiva e estimulando a formalização. O acesso ao crédito produtivo, especialmente por meio do Banco do Povo, também é apontado como ferramenta importante para estruturar pequenos negócios.

Já no longo prazo, a redução da informalidade é tratada como prioridade, com ações voltadas à diversificação da economia, atração de investimentos e melhoria do ambiente de negócios. O município trabalha na redução da burocracia e no incentivo à abertura e regularização de empresas.

NOVOS MECANISMOS

A prefeitura também disse atuar na criação de mecanismos para monitorar o mercado de trabalho de forma mais eficiente, permitindo o desenvolvimento de políticas públicas alinhadas à realidade da população. 

A estratégia adotada, segundo a administração municipal, não é de restrição, mas de estímulo: tornar a formalização mais vantajosa, com menos custos, mais benefícios e maior acesso a políticas públicas. Apesar dos avanços na geração de empregos, o município reconhece que a informalidade ainda representa um desafio. Por isso, as ações seguem sendo ampliadas.


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