Polícia
Familiares de Nicolly Pogere estão sofrendo ameaças mesmo após assassinato brutal

Operação busca suspeitos de ameaçar família de vítima de feminicídio em Hortolândia

Polícia Civil deteve duas pessoas em meio a operação interestadual por ameaças a familiares de Nicolly Fernanda Pogere, que foi cruelmente assassinada em Hortolândia no ano passado; ação ocorreu em três estados

A Polícia Civil deflagrou nesta segunda-feira (13) uma operação interestadual contra suspeitos de ameaçar familiares de Nicolly Fernanda Pogere, de 15 anos, vítima de feminicídio em Hortolândia no ano passado. A ação ocorreu em três estados e resultou na prisão de um homem em Minas Gerais, outro no interior de São Paulo, além do cumprimento de mandados de busca e apreensão.

Durante a ação, um homem foi preso em Minas Gerais após a apreensão de dispositivos eletrônicos que continham material de abuso sexual infantil. Um segundo suspeito foi preso em Presidente Prudente. Ao todo, cinco pessoas são alvos da investigação — um adulto e quatro adolescentes.

De acordo com as autoridades, as ameaças começaram cerca de um mês após a repercussão do crime. Parentes da vítima passaram a receber mensagens com ofensas, intimidações e conteúdos de deboche por meio de redes sociais, e-mails e outras plataformas digitais. Segundo a apuração, os ataques se intensificaram ao longo do tempo, tanto em frequência quanto em gravidade.

A operação foi coordenada pelo Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), vinculado à Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, com apoio de equipes policiais nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Pará.

Os mandados judiciais foram cumpridos nos municípios de Presidente Prudente, Bicas, Belo Horizonte, Ibirité e Juiz de Fora, além de Ananindeua. As ordens partiram da Delegacia Seccional de Casa Branca, São Paulo.

O objetivo principal da ação é apreender celulares, computadores e outros equipamentos que possam contribuir para a identificação dos responsáveis pelas ameaças e para o avanço das investigações.

Mãe da adolescente, Priscila Magrin, afirmou que a família recebeu a operação com emoção. “Não tenho palavras para descrever o sentimento de ver, finalmente, a justiça sendo feita nesse caso”, declarou.

O corpo de Nicolly foi encontrado às margens de uma lagoa no bairro Jardim Amanda I, em Hortolândia, em julho de 2025. Segundo a investigação, a jovem foi morta com extrema violência, em um crime classificado pela polícia como de “grande crueldade”. O sepultamento ocorreu em meio a comoção e protestos na cidade de Mococa, onde ela vivia com a família.

A apuração do caso levou à identificação de dois adolescentes, de 17 e 14 anos, que confessaram participação no crime. Ambos foram apreendidos e tiveram a internação provisória determinada pela Justiça.

Conforme a Polícia Civil, o jovem de 17 anos mantinha um relacionamento com a vítima, enquanto a adolescente de 14 anos também se relacionava com ele. Os dois foram localizados no dia 20 de julho de 2025, na casa de familiares no estado do Paraná.

Em depoimento, os adolescentes alegaram que teriam reagido a uma suposta agressão da vítima. A versão, no entanto, é contestada pela investigação, que aponta que Nicolly foi atraída até o local do crime. Segundo o delegado responsável pelo caso, os envolvidos não demonstraram arrependimento.

 


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