Polícia apura possível transmissão ao vivo do assassinato de Nicolly Pogere, em Hortolândia
O Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), da Polícia Civil, apura se o assassinato da adolescente Nicolly Fernanda Pogere, de 15 anos, ocorrido em julho de 2025, em Hortolândia, teve relação com atividades no ambiente virtual, incluindo possível transmissão ao vivo ou incentivo ao crime pela internet.
De acordo com a investigação, a principal linha de apuração
busca esclarecer se houve participação indireta de terceiros por meio de
plataformas digitais. A delegada Lis Salvariego, responsável pela coordenação
do Noad, confirmou que a equipe trabalha para identificar indícios de incitação
ao crime em redes online, o que pode ampliar o número de envolvidos.
Além da suspeita de estímulo virtual, a polícia também
analisa a hipótese de que o assassinato tenha sido transmitido ou compartilhado
em tempo real na internet, o que, se confirmado, agravaria ainda mais a
natureza do caso.
Após o crime, familiares da vítima passaram a ser alvo de
ataques virtuais. Segundo as autoridades, foram registrados episódios de
ofensas, perseguições e disseminação de conteúdos falsos, incluindo imagens
íntimas manipuladas. A Polícia Civil classificou as ações como práticas
motivadas por “ódio pelo ódio”, destacando a gravidade da violência digital
sofrida pela família.
Diante da situação, foi deflagrada uma operação
interestadual com o objetivo de identificar e responsabilizar os autores das
agressões virtuais. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos contra
suspeitos de participação nos ataques, com foco na coleta de provas que possam
comprovar o envolvimento no ambiente digital. Duas pessoas foram presas nesta
operação, uma em Minas Gerais e outra no interior de São Paulo.
As investigações seguem em andamento e não estão descartadas
novas medidas judiciais, conforme o avanço das apurações e a análise do
material apreendido.
O corpo da garota foi encontrado em julho de 2025, em uma
lagoa no Jardim Amanda, em Hortolândia. Nicolly foi vítima de um homicídio
marcado por extrema violência, conforme apontam as investigações da Polícia
Civil.
Ela foi esfaqueada e teve o corpo esquartejado, em um crime
descrito pelas autoridades com “requintes de crueldade”. O sepultamento ocorreu
sob forte comoção e protestos da população em Mococa, município onde a jovem
residia com a família.
No decorrer das diligências, a Polícia Civil identificou
dois adolescentes, de 17 e 14 anos, como responsáveis pelo crime. Ambos
confessaram a participação, foram apreendidos e tiveram a internação provisória
determinada pela Justiça.
Segundo a investigação, o adolescente de 17 anos mantinha um
relacionamento com a vítima, enquanto a jovem de 14 anos também se relacionava
com ele. Os dois suspeitos foram localizados no dia 20 de julho, na residência
da avó de um deles, no estado do Paraná.

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