Advogado de Hortolândia foi morto em três minutos em Mogi Mirim, diz polícia
Policiais civis concluíram que o advogado Lucas Silva Lopes, de Hortolândia, foi assassinado em cerca de três minutos na zona rural de Mogi Mirim; um suspeito foi preso e um segundo homem é investigado pela participação no homicídio
A Polícia Civil concluiu que o advogado Lucas Silva Lopes,
de 30 anos, foi assassinado em aproximadamente três minutos na zona rural de
Mogi Mirim. Morador de Hortolândia, Lucas teve o carro registrado por câmeras
entrando em uma estrada de terra às 3h05 e deixando o local às 3h08. As
informações foram apresentadas nesta segunda-feira (17) pelo delegado Fábio
Chrysostomo, responsável pela investigação.
Segundo o delegado, a análise das imagens e os trabalhos
periciais indicam que o advogado foi morto na própria estrada onde seu corpo
acabou encontrado. Lucas foi localizado no dia 2 de agosto, sem roupas e em
posição fetal. Ele apresentava lesões no rosto e estava com um tecido preso ao
pescoço e ao corpo.
O acusado, de 32 anos, foi preso na sexta-feira (14),
enquanto se preparava para buscar o filho em uma escola. Conforme a Polícia
Civil, ele admitiu envolvimento no homicídio. A possível motivação ainda é
mantida em sigilo pelas autoridades. A investigação também chegou a um segundo
homem que teria participação no crime, mas a identidade dele não foi divulgada.
Após o assassinato, o suspeito teria utilizado o carro de
Lucas para deixar a estrada. O veículo passou por um posto de combustíveis,
onde o suspeito abasteceu. A forma utilizada para efetuar o pagamento foi
considerada incomum pelos investigadores e registrada nas imagens analisadas
pela polícia.
“O pagamento foi de forma suspeita, porque ele não abre
muito o vidro, ele passa o cartão por cima do vidro. O frentista tem até uma
certa dificuldade em alcançar o cartão ali para efetuar o pagamento”, relatou
Chrysostomo.
Na sequência, o suspeito teria evitado o trajeto mais direto
e utilizado um caminho mais extenso até o ponto onde abandonou e incendiou o
automóvel. Para a Polícia Civil, a escolha pode ter sido feita justamente para
reduzir as chances de passar por radares, unidades policiais e outros pontos de
monitoramento.
A perícia também analisou as circunstâncias do incêndio. De
acordo com o delegado, os vidros do veículo estavam abertos quando o fogo foi
provocado, o que teria contribuído para que as chamas atingissem determinadas
partes da estrutura do automóvel. “O suspeito ateou fogo ao carro. E vale
ressaltar que, segundo o perito, ele falou que a pessoa sabia o que estava
fazendo, porque ele deixou os vidros abertos. Os vidros foram encontrados
derretidos dentro da porta, inclusive”, afirmou.
O acusado também teria contado aos investigadores que jogou
o celular de Lucas em um rio após o crime. A Polícia Civil segue procurando
informações que possam esclarecer o que aconteceu antes, durante e depois do
assassinato, além de tentar estabelecer com precisão a função exercida pelo
segundo suspeito.
Ainda conforme a investigação, Lucas e o acusado já se
conheciam e mantinham contato havia algum tempo. O advogado teria viajado
outras vezes para Mogi Mirim para encontrá-lo. A relação entre os dois já havia
sido registrada em um boletim de ocorrência feito por Lucas no ano passado,
quando ele acusou o homem de estelionato. Na ocasião, porém, decidiu não levar
a representação adiante.
Além da carreira na advocacia, Lucas era conhecido pela
atuação em defesa dos direitos das pessoas com deficiência. Ele tinha paralisia
cerebral, era mestre em Direitos Humanos pela USP e cursava doutorado na
universidade. Entre seus objetivos profissionais estava a carreira de promotor
de Justiça.
Lucas estava inscrito na OAB Campinas desde 2020 e integrava
as comissões de Direitos Humanos e dos Direitos das Pessoas com Deficiência.
Ele também trabalhou na Ambev e teve ligação com a Casa da Criança Paralítica,
onde foi paciente e, posteriormente, ocupou o cargo de diretor-secretário entre
2023 e o início de 2026. Também participava de atividades do projeto de
Extensão de Natação Paralímpica da Unicamp.

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